Existe comida alemã? Ou melhor, se come comida alemã na Alemanha? Ainda não descobri.
Não acredito que lasanha, curry, kebab, teryaki ou frango xadrez seja típico alemão. Porque foi essa variedade que comi por aqui. Fui a dois jantares de amigos meus por aqui. No primeiro a minha amiga cozinhou uma lasanha. No segundo meu amigo fez uma bela de uma macarronada. Todos regados com um belo vinho e risadas ate altas horas. Estou na Italia? Claro que não, afinal nós falamos… Espanhol!!! Sim, éramos como 7 pessoas e todos falavam espanhol. Isso é uma coisa que estou adorando na Europa, essa variedade cultural, mas isso fica para um outro post.
Discussão de onde jantar de outro dia:
- Vamos no Thai Food.
- De novo? Fui ontem, vamos no japonês por aqui.
- E o indiano?
No fim, dá-lhe um frango com curry tipicamente alemão…
Ah, o café deles é um bom chá. Quase um mate… E o leite tb é meia boca… Agora pq os produtos lácteos daqui são tão bons? Ah, passeio a se fazer, visitar a fábrica da Lindt!
E o chucrute? Não vi disso aqui não…
Aqui se suja 3 vezes mais roupa que o normal, afinal vc usa 3 vezes mais roupa ao mesmo tempo. E nunca confie num dia de ceu azul e sol brilhando la fora. Sai hj “apenas” com meus 2 casacos em vez dos tres habituais e ta foda…
Vou sair pra comprar uma jaqueta, mas e foda achar do meu tamanho. As roupas alemas comecam no “M”?
Minhas impressões da minha vida alemã… Difícil dizer. Pequenas demais para um grande texto e tantas que não me dão tempo de escrever. Completo exatamente uma semana hj. E até agora não tenho de que reclamar. Assim que cheguei, me deram casa, comida, dinheiro, cerveja (e das boas!)… Ok, só faltou uma alemã de olhos azuis me esperando na cama… Mas enfim, como diria Jagger, não pode se ter sempre oq se quer.
Alguns dias de burocracia e voilá! Tenho uma conta no banco, minha carteirinha na escola, meu registro de residente, meu telefone celular e até meu nome na caixa de correio do apto. Impressionante como funciona bem a burocracia alemã. Aliás, impresisonante como tudo funciona bem aqui. É quase irritante o respeito às regras. Rua vazia, de noite, sem carro vindo, e mesmo assim os pedestres esperam na faixa o sinal ficar verde para atravessar.
Os alemães… Não saberia muito bem que dizer, afinal a maioria dos alemães que conheci estudaram em Cuba e falam espanhol. Ou seja, não acredito que sejam alemães muito típicos. Mas fui impressionantemente bem recebido por eles. Divido o apto com mais 2 alemães. Esses não estudaram em Cuba, mas ambos falam espanhol. Mais que falam, estudam línguas, um deles estuda até chinês. Oq me leva a pensar que tb não sejam alemães típicos. Enfim… Oq seria um alemão típico? Dizem da frieza. Pelo menos os que chamo de amigos por aqui não são. Mas noto um certo distanciamento entre os alunos da escola onde estou editando. Os alunos não se interagem muito entre si. Meio que cada um fica com seus projetos. Cada um no seu quadrado. Aí sim sinto falta da latinidade. A coisa que havia na escola de Cuba, onde cada um sempre procurava ver, ajudar, compartilhar seus projetos.
Mil coisas ainda fervilham na cabeça, mas escrevo depois pq é um saco ler posts muito grandes.
Hoje descobri alguns novos vídeos dos Muppets, feitos agorinha, em 2008. Bom, não tão “agorinha”, pois já foram lançados há uns 3 meses. Quanta emoção me trouxe tal descoberta!
Eu poderia fazer um longo post de como os Muppets me acompanharam quando criança, o quanto eu ria das trapalhadas do Gonzo ou dos ranzinzas Statler & Waldorf… Poderia ficar horas dizendo o quanto representou os Muppets para a minha infância… Poderia… Mas seria uma puta mentira! Nunca liguei pros Muppets quando criança. Acho que nem passava mais a série (afinal não sou tão velho assim!). Eu lembro de ocasionais sessões da tarde que passavam seus longas, mas nunca me interessei. Eu vi um pouco mais do desenho “Muppets Babies”, se é que se lembram (ok, um pouco velho sou mesmo). Mas estava mais para “Rugrats” da época, que os bonequinhos clássicos do Jim Henson.
Mas há uns 3 anos atrás, caiu em minhas mãos a primeira temporada dos Muppets… Aquela original de 1976… E fui completamente fisgado… Eu já marmanjão de 26 anos, alucinado com bonequinhos falantes. Mas é impossível não se alegrar cantando “Manah, manah”:
Parecia quase inexplicável um programa tão anárquico para crianças. TV Pirata era um passeio no parque perto dos Muppets. Esquizofrenia pura… E das melhores! Um dos meus sonhos se tornou escrever um programa infantil assim. (Oq foi feito algo parecido com a TV Colosso, que era escrito por alguns grandes nomes como o Laerte ou o Angeli – Mas não passava de uma mera imitação do original)
E agora esse retorno. Um pequeno retorno. Os vídeos caíram na moda dos “virais” de internet. (Odeio esse termo, agora virou tudo “viral”) Foram alguns vídeos que dizem serem postados pelos próprios personagens, inclusive com o retorno modernizado de Statler & Waldorf (adoro esses velhinhos ranzinzas). São divertidinhos, embora soe um pouco como piada requentada… Mas é sempre bom vê-los voltando a ativa.
Ninguém sabe muito bem o porquê desses vídeos, talvez um retorno da série??? Tomara que não, senão não terei mais minha vida de volta…
Em novembro estréia em circuito comercial o Documentário Pan-Cinema Permanente, dirigido por Carlos Nader, sobre o poeta Waly Salomão.
O filme ganhou o Festival “É Tudo Verdade” de 2008 e teve ótimas críticas nos Festivais do Rio, Gramado, etc, etc. (aqui, aqui, aqui ou aqui por exemplo).
Esse humilde servo que vos fala deu uma mãozinha na edição.
Ok, continuando meu raciocínio de boteco de quinta categoria (daqueles com mesa de metal patrocinada pela cerveja Kaiser), no post anterior eu estava falando sobre Cinema e Preconceito.
Agora a coisa é do outro lado. O preconceito dos pretensos intelectuais ao cinema de Hollywood. Cinema também é entretenimento, também é comercial, também é indústria. Eu me formei em Cinema na Escola Internacional de Cinema de Cuba. E vou dizer… Era uma fauna bem variada essa escola… Mas como em toda faculdade de cinema, sempre existe um grupo “radical”: Cinema é trangressão! Cinema é social! Cinema é político! É… Eles também não poderiam estar mais errados. Não confundam mídia com conteúdo. Cinema é linguagem. Ponto! Pode-se transgredir ou afirmar, mas não é isso que faz um filme bom ou ruim. Não existem temas ruins, não existem ideologias ruins, objetivos ruins, para um filme. Existem FILMES ruins, independente do tema, raça, cor, credo e preferência sexual. Existe tema mais chato que uma convenção de um partido político? Existe ideologia pior que o Nazismo? Existe objetivo pior que a lavagem cerebral de jovens para uma causa fascista? Não sei, agora tenho certeza existem poucos filmes tão bons quanto “Triunfo da Vontade” de Leni Riefenstahl, que é justamente uma propaganda nazista sobre uma convenção do partido em 1934.
A idéia é a mesma para Hollywood. Filmes feitos com o objetivo único de entreter/vender, cuja a ideologia é “os EUA são os salvadores do universo”, podem ser tão bons como qualquer outro. Você não precisa concordar com a ideologia para gostar do filme. Nem concordar com a política de Hollywood para admitir que eles sabem fazer bons filmes. Pessoas que torcem o nariz só porque o filme é americano, com milhões de orçamento para explosões emocionantes e usam mocinhas com decotes, é porque não gostam de cinema de verdade. Não conseguem parar um minuto e deixar-se maravilhar pelo espetáculo. É como o chato que sai do show de mágica puto por ter sido enganado por truques baratos que “não condizem com a atual situação latino-americana”. Tem horas que cinema serve para isso, para maravilhar, relaxar e divertir… Só tome cuidado para não deixar em casa o seu espírito crítico e sair acreditando que coelhos saem realmente da cartola…
Acabei de voltar da Mostra de Cinema de SP.
Vi “Il Divo”, filme italiano de Paolo Sorrentino sobre o Primeiro-Ministro italiano acusado de envolvimento com a Máfia. É um filme bacana. Não é um GRANDE filme, mas é bem bacana.
A questão do post na verdade não é sobre o filme em si e sobre o preconceito que as pessoas têm quando se fala em cinema.
Ao comentar que ia pra Mostra, teve alguns amigos fãs de Hollywood que torcem o nariz. Mais errados é que não podem estar. Puro preconceito. Tenho certeza que a maioria que torce o nariz iria gostar do filme. Até mais que eu. O fato do filme não ser feito nos EUA e nem falar inglês, não faz o filme ser chato, mas logo é rotulado como. Uma pena esse preconceito bobo. O problema é que Hollywood criou um padrão. Definiu para o público como cinema “deveria” ser feito. E o público se acomodou. O chamado “efeito teletubbie”. A criança adora o programa pq já sabe oq vai ver, a hora de dizer OI, a hora de dizer TCHAU, e até as repetições para quem não entendeu… DE NOVO! O cinema igual. O espectador médio procura a certeza. Não quer se arriscar com algo que mude o padrão. E pior! Não quer se arriscar com algo que tenha MINIMAMENTE a chance de sair do padrão. Mesmo que um filme italiano siga exatamente o mesmo padrão, o espectador médio não vai ver, já que “não fala inglês”, então é diferente, não quero, não gosto! O cinema médio de Hollywood se transformou num grande Teletubbie. Claro, oq não impede que se façam excelentes filmes usando o mesmo padrão (e Hollywood sabe fazer MUITO bem), o problema é quando as pessoas se conformam com ele.
Para quê se arriscar? Eu sei do que gosto e fico satisfeito com isso. Bom, acostume-se a comer merda que nunca mais passará fome… Se não me engano foi Mario Vargas Llosa que disse que o problema da cultura se restringir ao que o público busca é a mediocrização da mesma, posto que a erudição é mais exigente ao público e menos comercial aos produtores. (Bom, na verdade não foi exatamente isso oq ele disse, mas o post é meu e eu falo oq eu quiser!) – Mas isso acho que é questão para outro post que já estou me perdendo no fluxo de pensamento por aqui… Enfim, continuando…
Sim, sair da zona de conforto custa, te exige. Mas garanto que a recompensa é muito maior. Quem troca um Paulo Coelho por um Saramago ou Guimarães Rosa sabe do que estou falando.