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Em novembro estréia em circuito comercial o Documentário Pan-Cinema Permanente, dirigido por Carlos Nader, sobre o poeta Waly Salomão.
O filme ganhou o Festival “É Tudo Verdade” de 2008 e teve ótimas críticas nos Festivais do Rio, Gramado, etc, etc. (aqui, aqui, aqui ou aqui por exemplo).
Esse humilde servo que vos fala deu uma mãozinha na edição.
E aqui vai o trailer:
Ok, continuando meu raciocínio de boteco de quinta categoria (daqueles com mesa de metal patrocinada pela cerveja Kaiser), no post anterior eu estava falando sobre Cinema e Preconceito.
Agora a coisa é do outro lado. O preconceito dos pretensos intelectuais ao cinema de Hollywood. Cinema também é entretenimento, também é comercial, também é indústria. Eu me formei em Cinema na Escola Internacional de Cinema de Cuba. E vou dizer… Era uma fauna bem variada essa escola… Mas como em toda faculdade de cinema, sempre existe um grupo “radical”: Cinema é trangressão! Cinema é social! Cinema é político! É… Eles também não poderiam estar mais errados. Não confundam mídia com conteúdo. Cinema é linguagem. Ponto! Pode-se transgredir ou afirmar, mas não é isso que faz um filme bom ou ruim. Não existem temas ruins, não existem ideologias ruins, objetivos ruins, para um filme. Existem FILMES ruins, independente do tema, raça, cor, credo e preferência sexual. Existe tema mais chato que uma convenção de um partido político? Existe ideologia pior que o Nazismo? Existe objetivo pior que a lavagem cerebral de jovens para uma causa fascista? Não sei, agora tenho certeza existem poucos filmes tão bons quanto “Triunfo da Vontade” de Leni Riefenstahl, que é justamente uma propaganda nazista sobre uma convenção do partido em 1934.
A idéia é a mesma para Hollywood. Filmes feitos com o objetivo único de entreter/vender, cuja a ideologia é “os EUA são os salvadores do universo”, podem ser tão bons como qualquer outro. Você não precisa concordar com a ideologia para gostar do filme. Nem concordar com a política de Hollywood para admitir que eles sabem fazer bons filmes. Pessoas que torcem o nariz só porque o filme é americano, com milhões de orçamento para explosões emocionantes e usam mocinhas com decotes, é porque não gostam de cinema de verdade. Não conseguem parar um minuto e deixar-se maravilhar pelo espetáculo. É como o chato que sai do show de mágica puto por ter sido enganado por truques baratos que “não condizem com a atual situação latino-americana”. Tem horas que cinema serve para isso, para maravilhar, relaxar e divertir… Só tome cuidado para não deixar em casa o seu espírito crítico e sair acreditando que coelhos saem realmente da cartola…

Acabei de voltar da Mostra de Cinema de SP.
Vi “Il Divo”, filme italiano de Paolo Sorrentino sobre o Primeiro-Ministro italiano acusado de envolvimento com a Máfia. É um filme bacana. Não é um GRANDE filme, mas é bem bacana.
A questão do post na verdade não é sobre o filme em si e sobre o preconceito que as pessoas têm quando se fala em cinema.
Ao comentar que ia pra Mostra, teve alguns amigos fãs de Hollywood que torcem o nariz. Mais errados é que não podem estar. Puro preconceito. Tenho certeza que a maioria que torce o nariz iria gostar do filme. Até mais que eu. O fato do filme não ser feito nos EUA e nem falar inglês, não faz o filme ser chato, mas logo é rotulado como. Uma pena esse preconceito bobo. O problema é que Hollywood criou um padrão. Definiu para o público como cinema “deveria” ser feito. E o público se acomodou. O chamado “efeito teletubbie”. A criança adora o programa pq já sabe oq vai ver, a hora de dizer OI, a hora de dizer TCHAU, e até as repetições para quem não entendeu… DE NOVO! O cinema igual. O espectador médio procura a certeza. Não quer se arriscar com algo que mude o padrão. E pior! Não quer se arriscar com algo que tenha MINIMAMENTE a chance de sair do padrão. Mesmo que um filme italiano siga exatamente o mesmo padrão, o espectador médio não vai ver, já que “não fala inglês”, então é diferente, não quero, não gosto! O cinema médio de Hollywood se transformou num grande Teletubbie. Claro, oq não impede que se façam excelentes filmes usando o mesmo padrão (e Hollywood sabe fazer MUITO bem), o problema é quando as pessoas se conformam com ele.
Para quê se arriscar? Eu sei do que gosto e fico satisfeito com isso. Bom, acostume-se a comer merda que nunca mais passará fome… Se não me engano foi Mario Vargas Llosa que disse que o problema da cultura se restringir ao que o público busca é a mediocrização da mesma, posto que a erudição é mais exigente ao público e menos comercial aos produtores. (Bom, na verdade não foi exatamente isso oq ele disse, mas o post é meu e eu falo oq eu quiser!) – Mas isso acho que é questão para outro post que já estou me perdendo no fluxo de pensamento por aqui… Enfim, continuando…
Sim, sair da zona de conforto custa, te exige. Mas garanto que a recompensa é muito maior. Quem troca um Paulo Coelho por um Saramago ou Guimarães Rosa sabe do que estou falando.
Ou então… É HORA DE DIZER TCHAU… DE NOVO!!!
