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Ok, continuando meu raciocínio de boteco de quinta categoria (daqueles com mesa de metal patrocinada pela cerveja Kaiser), no post anterior eu estava falando sobre Cinema e Preconceito.

Agora a coisa é do outro lado. O preconceito dos pretensos intelectuais ao cinema de Hollywood. Cinema também é entretenimento, também é comercial, também é indústria. Eu me formei em Cinema na Escola Internacional de Cinema de Cuba. E vou dizer… Era uma fauna bem variada essa escola… Mas como em toda faculdade de cinema, sempre existe um grupo “radical”: Cinema é trangressão! Cinema é social! Cinema é político! É… Eles também não poderiam estar mais errados. Não confundam mídia com conteúdo. Cinema é linguagem. Ponto! Pode-se transgredir ou afirmar, mas não é isso que faz um filme bom ou ruim. Não existem temas ruins, não existem ideologias ruins, objetivos ruins, para um filme. Existem FILMES ruins, independente do tema, raça, cor, credo e preferência sexual.  Existe tema mais chato que uma convenção de um partido político? Existe ideologia pior que o Nazismo? Existe objetivo pior que a lavagem cerebral de jovens para uma causa fascista? Não sei, agora tenho certeza existem poucos filmes tão bons quanto “Triunfo da Vontade” de Leni Riefenstahl, que é justamente uma propaganda nazista sobre uma convenção do partido em 1934.

A idéia é a mesma para Hollywood. Filmes feitos com o objetivo único de entreter/vender, cuja a ideologia é “os EUA são os salvadores do universo”, podem ser tão bons como qualquer outro. Você não precisa concordar com a ideologia para gostar do filme. Nem concordar com a política de Hollywood para admitir que eles sabem fazer bons filmes. Pessoas que torcem o nariz só porque o filme é americano, com milhões de orçamento para explosões emocionantes e usam mocinhas com decotes, é porque não gostam de cinema de verdade. Não conseguem parar um minuto e deixar-se maravilhar pelo espetáculo. É como o chato que sai do show de mágica puto por ter sido enganado por truques baratos que “não condizem com a atual situação latino-americana”. Tem horas que cinema serve para isso, para maravilhar, relaxar e divertir… Só tome cuidado para não deixar em casa o seu espírito crítico e sair acreditando que coelhos saem realmente da cartola…